28 abril 2009

Padre Fábio de Melo


Contrários

Só quem já provou a dor
Quem sofreu, se amargurou
Viu a cruz e a vida em tons reais

Quem no certo procurou
Mas no errado se perdeu
precisou saber recomeçar

Só quem já perdeu na vida sabe o que é ganhar
Porque encontrou na derrota algum motivo para lutar

E assim viu no outono a primavera
Descobriu que é no conflito que a vida faz crescer

Que o verso tem reverso
Que o direito tem avesso
Que o de graça tem seu preço
Que a vida tem contrários
E a saudade é um lugar
Que só chega quem amou
E que o ódio é uma forma tão estranha de amar

Que o perto tem distâncias
E o esquerdo tem direito
Que a resposta tem pergunta
E o problema solução
E que o amor começa aqui
No contrário que há em mim
E a sombra só existe quando brilha alguma luz.

Só quem soube duvidar
Pôde enfim acreditar
Viu sem ver e amou sem aprisionar

Quem no pouco se encontrou
Aprendeu multiplicar
Descobriu o dom de eternizar

Só quem perdoou na vida sabe o que é amar
Porque aprendeu que o amor só é amor
Se já provou alguma dor
E assim viu grandeza na miséria
Descobriu que é no limite
Que o amor pode nascer
Pe. Fábio de Melo

27 abril 2009

Pai! Pode ser que daqui algum tempo
Haja tempo pra gente ser mais
muito mais que dois grandes amigos
Pai e Filho talvez

Pai! Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz

Pai! Pode crer, eu tô bem, eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura pra você renascer

Pai! Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Pra falar de amor...Pra você

Pai! Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco, a tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga pra ver

Pai! Me perdoa essa insegurança
Eu não sou mais aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu

Pai! Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Pra pedir pra você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar

Pai! Você foi meu herói, meu bandido
Hoje é mais, muito mais que um amigo
Nem você nem ninguem ta sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai! Paz! Pai!

(Fábio Júnior)

Ontem meu filho Mateus sofreu um pequeno acidente, onde ao escorregar ele caiu sobre o braço e fraturou, (peço que rezem pela recuperação dele). Amigos, nunca sofri tanto. Ao ver meu filho com dores, a fratura visível... gritando de dor... minha esposa em prantos, foi barra. Graças a Deus, minha esposa é uma mulher prevenida e sempre carrega a documentação das crianças, passamos em um excelente Hospital que atende nosso convenio e o atendimento foi rápido. Sei que o clinicamente o coração não sente dor, mas só quem é pai sabe entender o que eu falo. Por isso gostaria de ilustrar esse momento o que é ser PAI, com essa letra do Fabio Jr que hoje podemos ouvir também na voz do Pe. Fábio de Melo.
Um abraço a todos.

Comunidade Shalom

O que vale mais?

O que será que vale mais, ser feliz ou ser perfeito?
Vale mais tudo saber ou sentir amor no peito?
Será que não seria tudo, tudo diferente
Se a gente fosse simples como a cor do sol poente?

Quem poderá dizer? Quem poderá garantir
Que o olhar tão esperado vai pra sempre lhe sorrir?
Será que não seria tudo, tudo diferente
Se em vez de amar tanto as coisas a gente amasse mais gente?

Quem disse que é preciso a gente ser tão durão
Em vez de deixar falar o que está no coração?
Será que não seria tudo, tudo diferente
Se em vez de tantos conceitos a gente fosse mais
gente?

E fico, então, a pensar que por amor, um dia,
Jesus veio assumir
toda nossa agonia.
E fico, então a pensar...

Será que não seria melhor o mundo se a gente
Abrisse os olhos e os braços pra esse amor diferente?

(Carlinhos Uchôa, Mª. Helena Lage, Izaías Luciano – CD Tudo o que se Possa Ter)

24 abril 2009

Já que o blog trata de poemas, e de amor principalmente...
Segue clipe de uma banda Koreana, onde o video tem uma
história bem legal.



Gabriel Chalita

Livro: Amor (Editora Gente)

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A quentura dos teus desejos
incomoda-me um pouco
Calma.
Também existo.

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Amanhã
talvez o fogo que aquece não tenha a mesma força
Talvez a água que banha não encontre a mesma
Paisagem
Talvez o ar poluído ou a terra suja tentem-nos
convencer do que é melhor buscar encontros
menos antigos
Amanhã
talvez a impaciência e a impertinência
batam a nossa casa.
Quem sabe?
O que sei é que,
se vierem não nos encontrarão despreparados.
Amanhã,
nossos corpos deixarão o vigor dos primeiros dias
e ganharão a história construída de um amor
encontrado, cuidado.Jovens ou velhos, juntos, apaixonadamente juntos,
enternecidamente juntos.
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Gabriel Chalita é membro da Academia Paulista de Letras. Já publicou diversos livros, entre os quais a Ética do Rei Menino, Os Dez Mandamentos da Ética e Pedagogia do Amor, os dois últimos também editados em língua espanhola. Como educador atuante, recebeu vários títulos e condecorações. Entre eles, destacam-se: Prêmio Personalidade do Ano 2005 – Educação, conferido pela revista Istoé Gente; Troféu Raça Negra 2005 e Prêmio Fernando de Azevedo – Educador do Ano 2004. Foi secretário de Estado da Educação de São Paulo e presidente eleito do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Educação (Consed). É doutor em Filosofia do Direito e doutor em Comunicação e Semiótica. É mestre em Direito e mestre em Ciências Sociais. Foi eleito vereador na cidade de São Paulo em 2008 e apresenta o programa 4ª Viva na TV Canção Nova.

23 abril 2009

Manuel Bandeira


"Desencanto

Eu faço versos como quem chora
De desalento. . . de desencanto. . .
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente. . .
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

– Eu faço versos como quem morre."




Manuel Bandeira viveu assim...Nasceu em 19 de abril de 1886, no final do ano de 1904, aos 18 anos, fica sabendo que está tuberculoso. Como não tinha tratamento na época, fica esperando a chegada da morte mas somente no dia 13 de outubro de 1968, às 12 horas e 50 minutos, com 82 anos, morre o poeta Manuel Bandeira, no Hospital Samaritano, em Botafogo, sendo sepultado no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista.